Autora Elza Dias Trabalho doméstico no Brasil: ontem e hoje, que mudou? Eu era criança, mas lembro muito bem. Por Elza Dias Era a década de 1960 e 1970. Havia muita pobreza. No Norte de Minas, onde cresci, era comum que famílias pobres, com 10, 12 filhos, entregassem uma, duas, ou até mais filhas para viverem com famílias ricas — em troca de alimentação, moradia e, quando possível, algum estudo, geralmente à noite. Essa prática era reflexo do abandono vivido pelos negros após a abolição da escravatura. Os libertos foram deixados à própria sorte, sem terra, sem emprego, sem moradia. Muitas famílias permaneceram nas fazendas porque simplesmente não tinham para onde ir. Era comum os próprios pais autorizarem as patroas a "corrigir" suas filhas. E muitas delas eram surradas. A maioria nem chegava a estudar, pois seus dias só terminavam depois que as crianças da casa dormissem e tudo estivesse limpo e arrumado para o dia seguinte, que começava às 5 da manhã. Estudar era i...
Por R aimunda R ezende Poeta Raimunda Rezende OS CONSELHOS DO “VELHO” MARANHÃO Não significa que os meus filhos, sejam melhores que os dos outros. Mas procurem sempre se acompanhar, com pessoas melhores do que vocês. Nunca saiam de casa desprevenidos, vistam-se sempre de maneira decente, que possam entrar em qualquer lugar, seja na padaria, delegacia ou no fórum. Não importa, seja qual for a situação, falem sempre a verdade, pois a verdade essa sim, cabe em qualquer lugar. A mentira não, ela tem a perna curta. Uma hora ou outra a verdade vai aparecer. Vivam de maneira que não sejam envergonhados. Nunca aceitem que ninguém os humilhem. Andem sempre com a cabeça erguida. Ser pobre não é feio, não é defeito. O que empobrece é ser mau caráter, desonesto. Ninguém, nem mesmo um irmão é obrigado amar, mas o respeito, esse sim, cabe em qualquer lugar! Ninguém é obrigado a se comprometer, mas se...
Por Fátima Cordeiro Escritora Fátima Cordeiro Procuro uma crônica que me aperta o peito Procuro uma crônica que me aperta o peito. Aquela crônica que tenta respirar com palavras o que já não consigo enxergar com a vida. Sabe aqueles dias que todas as palavras teimam ressuscitar-me em frente ao espelho do infinito? Tenho medo deste espelho que vive escondido sob um tecido fino de seda. Ventanias intensas me assustam sempre. Hoje, o tecido desce devagarinho, devagarinho descendo, ficando à mostra alguns trincados. Creio no medo assombroso que me invade repentinamente. Fica uma confusão se, de fato, é real. Se os fatos revelam a verdade do que se aparenta. As razões misturam-se numa espécie de encantamento mágico entoando uma canção ora triste ora confusa. Lágrimas vermelhas escorrem por entre minhas mãos. Procuro uma crônica que me aperta o peito. Que penetra nos meus atordoados sentimentos que já não existem mais. Fico a vagar no leito silencios...
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