Escritor membro da SLA AO SAUDOSO JOÃO FELIPE DE MELO Isac de Melo Desde menino, eu fui seu fã. Lembro do instante em que te vi pela primeira vez — como quem contempla um farol aceso no meio da noite. Havia firmeza no teu gesto, uma rigidez que não era dureza, mas direção: o dedo apontado mostrando o rumo de tudo o que eu viesse a fazer, como se você já soubesse dos caminhos antes mesmo que eu aprendesse a caminhar. Você me ensinou sem discursos. Com palavras simples, dizia coisas que nenhum filósofo conseguiria explicar em páginas inteiras. A segurança que você me dava vinha da tua honestidade, da tua postura reta, da tua forma silenciosa de ser correto. E cada ensinamento seu ficou gravado em mim — não em papel, mas na memória, onde o tempo não apaga o que é verdadeiro. Já se passaram trinta anos desde que você partiu, meu velho. Trinta anos em que a saudade se tornou companheira, mas nunca sombra. Porque você continua vivo no que eu faço, no que eu p...
Poetisa Gleyce Kaxinawá O POR DO SOL Por Gleyce Kaxinawá O sol vai embora... Mas deixa presentes Pinta o céu de laranja, rosa, dourado ardente. As nuvens viram algodão em fogo manso. É Deus dizendo em silêncio e em cor: Olha que lindo. É o fim quando tem amor. Cada raio que some É promessa no ar. De que manhã tudo vai recomeçar. O pôr do sol até me lembra... Que até a despedida pode ser bonita. Ser luz... Ser poesia...