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CONTO

              
Por Fátima Cordeiro
Escritora Fátima Cordeiro
O CARTEIRO
           Segunda-feira. D. Clara acabara de estender toda a sua roupa, cansada, já intencionava varrer a casa, quando ouve palmas ao portão. O carteiro diz estar fazendo uma pesquisa quanto as condições de trabalho do órgão em que trabalha.
          - Sim, claro, pode entrar! D. Clara o recebe com a dedicação de sempre.
          - Aceita um copo d’água?
          - Sim, obrigada, hoje está muito quente.
         O rapaz segura uma prancheta com alguns papéis.  Após beber a água, as perguntas são feitas:
          - A senhora está satisfeita com os serviços do correio daqui de sua cidade?
          - Sim.
          - Já deixou de receber alguma encomenda pelo correio?
          - Não. Sempre recebo tudo certinho.
          - A senhora poderia me mostrar algum documento para que eu faça o cadastramento da sua entrevista?
            - Com licença, vou buscar.
          Quão surpresa ficou D. Clara com o ‘’ sumiço’’ do pesquisador, como também, de sua Smart TV 32 polegadas, o celular e o notebook do neto. Correu lá fora, mas só a fumaça do carro que lhe pareceu ser do correio. Gritou pelos vizinhos, mas nada poderia ser feito. Talvez prestar queixa. Mas, não adiantaria!
           Ficou com medo, nervosa, jurou nunca mais abrir a sua porta para estranhos. Mas, era um rapaz tão distinto...Ela sempre foi fã dos carteiros...
       Os dias se passam. Na delegacia daquele Distrito, um policial traz o dito cujo   “carteiro‘’ para prestar depoimento.
           Ao ver seu rosto impresso no papel não tinha como negar ao delegado.  O dono do notebook tinha um aplicativo antirroubo, assim, ao ligar o computador a sua foto foi diretamente para o e-mail dele. Daí, foi fácil localizá-lo.
           Diogo, o falso ‘’carteiro’’, ficou surpreso o quanto as pessoas estão espertas.

Fátima Cordeiro tem formação em Pedagogia pela Universidade Federal do Acre (UFAC) e em Teologia pela Diocese de Rio Branco. Membro fundadora da Sociedade Literária Acreana (SLA) e Imortal da Academia Acreana de Letras (AAL).

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