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POESIA


PARTISTE
Por Jefferson Cidreira


Partiste, como ei de seguir?
Te dei meu corpo, que passou a ser teu território.
Te dei o aconchego dos (a)braços sinceros.
Dos beijos que foram todos teus.
Ainda te dei todo o meu afago, para tentar consolar-te, ser o amparo seu.
Te dei o mapa que revelava meu segredo.
O meu lugar, agora, era teu.
Acostumei-me com seu corpo,
Que sempre envolvia e tinha o meu.
Dois corpos entrelaçados,
Como um rio que deságua em outro, seu.
Teus dedos percorriam todo meu corpo, que era mais teu do que meu.
Ligava todos os dias e corria ao encontro teu.
Quando necessitava do consolo, do afago, ou quando seu corpo inflamava-se e necessitava do meu.
Te dei muito mais do que meu físico, minha mente, meus sentimentos, todo o amor meu.
Que estava cartografado em gestos, no olhar terno, nos sorrisos meus.
Me encontrava inerte, meu corpo nu, meus seios sempre em tuas mãos, mas o peito foi partido, alma, coração.
Foste embora sem aviso, sem alguma explicação.
O meu corpo despido e o coração estilhaçado, dos olhos nublados, sem direção.
Me vi perdida, não acreditava, achava ser uma ilusão.
Um pesadelo, mesmo acordada, entre os soluços e as lágrimas, atordoada, vão.
Depois de conquistada, ter dado a ti meu mapa, meu corpo e meu coração.
Foste sem palavras, por onde andarei então?
Minhas vestes eu pegava, trôpega, desorientada,
andava por entre as lágrimas e o sangue que jorrava do meu pobre, porém, nobre, coração.




Jefferson Henrique Cidreira é natural de Rio Branco-AC; professor da rede Estadual e da Faculdade Centro Integrado de Pesquisa e Educação da Amazônia- CIPEAMA, nível Superior e Pós-Graduação; graduado em História pela Universidade Federal do Acre-UFAC, em 2005; Especialista em Planejamento e gestão Escolar pela Faculdade de Várzea Grande-MT, em 2006; Mestre em Letras- Linguagem e Identidade pela UFAC, 2013;
    Doutor em Território e Sociedade na Pan-Amazônia pela Universidade Federal de Rondônia-UNIR, 2020; Membro efetivo da Sociedade Literária Acreana -SLA e da Academia Acreana de Letras -AAL, cadeira 14.

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