Pular para o conteúdo principal

POEMA - Os conselhos do "velho" Maranhão

 Por Raimunda Rezende 

Poeta Raimunda Rezende

OS CONSELHOS DO “VELHO” MARANHÃO


Não significa que os meus filhos,

sejam melhores que os dos outros.

Mas procurem sempre se acompanhar,

com pessoas melhores do que vocês.

 

Nunca saiam de casa desprevenidos,

vistam-se sempre de maneira decente,

que possam entrar em qualquer lugar,

seja na padaria, delegacia ou no fórum.

 

Não importa, seja qual for a situação,

falem sempre a verdade, pois a verdade

essa sim, cabe em qualquer lugar.

A mentira não, ela tem a perna curta.

 

Uma hora ou outra a verdade vai aparecer.

Vivam de maneira que não sejam envergonhados.

Nunca aceitem que ninguém os humilhem.

Andem sempre com a cabeça erguida.

 

Ser pobre não é feio, não é defeito.

O que empobrece é ser mau caráter, desonesto.

Ninguém, nem mesmo um irmão é obrigado amar,

mas o respeito, esse sim, cabe em qualquer lugar!

 

Ninguém é obrigado a se comprometer,

mas se fizer que cumpra, ou se justifique.

Nunca tentem ser o que não são,

apenas para impressionar as pessoas.

 

Quando alguém chegar em sua casa,

não tenha vergonha de oferecer o que tiver.

Não importa se seja apenas um arroz com feijão e ovo,

nunca se sabe da necessidade dessa pessoa.

 

Façam sempre a sua parte, ofereçam o seu melhor.

Ergam as mãos para o céu, e agradeçam por tudo!

Pois vocês podem não terem nada, mas lembrem-se,

muitos por aí queriam estar no lugar de vocês.

 

Hoje sei que vocês não me entendem, não compreendem,

sei também que às vezes até me acham um pai chato,

mas um dia vocês ainda irão me agradecer.

Talvez já não estarei mais aqui para ver, mais saibam,

tudo isso que tento ensinar é para o bem de vocês.


    (ao meu pai in memória) / Raimunda Rezende

   Raimunda Nonata Barbosa de Lima Rezende, nasceu ao dia 24 de dezembro de 1977, no Seringal Palmeiras, município de Xapuri - Acre, no Norte do Brasil. Casada com Vanderlei Francelino de Rezende, sem filhos. Congrega na Igreja Presbiteriana do Brasil. Formada em Pedagogia pela UNB (Universidade De Brasília), tem uma Pós-Graduação Lato Sensu – em Psicopedagogia FATEBOV (Faculdade de Teologia de Boa Vista) e outra Pós-Graduação Lato Sensu em PLANEJAMENTO, IMPLEMENTAÇÃO E GESTÃO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA UFF (Universidade Federal Fluminense). Professora concursada pela Secretaria Municipal de Plácido de Castro em Educação Infantil, atualmente, permutada na Rede Municipal de Acrelândia na Coordenação da PNEERQ e também Agente de Governança Regional do Baixo Acre. Exercendo o ofício de professora desde 2000. Também apaixonada por Políticas Públicas, atualmente está como Conselheira de Direitos do CMDCA (Conselho Municipal da Criança e do Adolescente), CMDM (Conselho Municipal da Mulher), CMS (Conselho Municipal da Saúde), Selo Unicef, Fórum Municipal da Educação. Escreve poemas e tem participação na antologia Então é Natal! Editora SLA, 2024. É membro da Sociedade Literária Acreana (SLA). Grata por tudo que viveu até aqui e segue buscando crescer tanto profissionalmente, quanto pessoal, e alcançar seus objetivos com muita fé, coragem e determinação. Reside e trabalha em Acrelândia, município do Estado do Acre.


Se você gostou do poema, deixe seu comentário. E volte outras vezes!

 BLOG DA SLA - Moderadora do Blog: Maze Oliver - Em: 26.11.2025


Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

APRESENTAÇÃO DE ASSOCIADA DA SLA - Edir Marques

A Associação Sociedade Literária Acreana (SLA) é mais do que um espaço de produção literária — é um território de encontro, troca e crescimento coletivo. Cada associado carrega consigo uma história, uma voz e uma forma única de enxergar o mundo. Aqui, essas singularidades não apenas são respeitadas, mas valorizadas como parte essencial de um projeto maior: o de construir, juntos, um caminho literário sólido, sensível e transformador. Autora Edir Marques Inspirada em um espírito cooperativo, a SLA funciona como uma verdadeira escola viva. Aqueles que já trilharam mais passos compartilham saberes, experiências e técnicas com generosidade, enquanto os que estão começando trazem frescor, novas perspectivas e inquietações criativas. Nesse movimento contínuo, todos ensinam e todos aprendem. Mais do que escritores, somos parceiros de jornada. Acreditamos na força do coletivo, na escuta, no incentivo mútuo e na construção conjunta de obras e trajetórias. Cada associado é parte ativa de u...

OPINIÃO - Trabalho doméstico no Brasil: ontem e hoje, o que mudou?

   Autora Elza Dias Trabalho doméstico no Brasil: ontem e hoje, que mudou? Eu era criança, mas lembro muito bem. Por Elza Dias   Era a década de 1960 e 1970. Havia muita pobreza. No Norte de Minas, onde cresci, era comum que famílias pobres, com 10, 12 filhos, entregassem uma, duas, ou até mais filhas para viverem com famílias ricas — em troca de alimentação, moradia e, quando possível, algum estudo, geralmente à noite. Essa prática era reflexo do abandono vivido pelos negros após a abolição da escravatura. Os libertos foram deixados à própria sorte, sem terra, sem emprego, sem moradia. Muitas famílias permaneceram nas fazendas porque simplesmente não tinham para onde ir. Era comum os próprios pais autorizarem as patroas a "corrigir" suas filhas. E muitas delas eram surradas. A maioria nem chegava a estudar, pois seus dias só terminavam depois que as crianças da casa dormissem e tudo estivesse limpo e arrumado para o dia seguinte, que começava às 5 da manhã. Estudar era i...

APRESENTAÇÃO DE ASSOCIADO - Flávio Santos

  A Associação Sociedade Literária Acreana (SLA) é mais do que um espaço de produção literária — é um território de encontro, troca e crescimento coletivo. Cada associado carrega consigo uma história, uma voz e uma forma única de enxergar o mundo. Aqui, essas singularidades não apenas são respeitadas, mas valorizadas como parte essencial de um projeto maior: o de construir, juntos, um caminho literário sólido, sensível e transformador. Autor Flávio Santos Inspirada em um espírito cooperativo, a SLA funciona como uma verdadeira escola viva. Aqueles que já trilharam mais passos compartilham saberes, experiências e técnicas com generosidade, enquanto os que estão começando trazem frescor, novas perspectivas e inquietações criativas. Nesse movimento contínuo, todos ensinam e todos aprendem. Mais do que escritores, somos parceiros de jornada. Acreditamos na força do coletivo, na escuta, no incentivo mútuo e na construção conjunta de obras e trajetórias. Cada associado é parte ativ...